O OPORTUNISMO PARTIDÁRIO

O OPORTUNISMO PARTIDÁRIO

 

Não possuindo ideais distintos, os partidos liberais ( no Brasil os partidos continuam a ser chamados de liberais, mesmo depois da adoção inconsciente da Social Democracia e depois da Constituição de julho de 1934), os partidos são obrigados a fazer propaganda mediante os mesmos processos usados pelas sociedades mercantis afim de vencer a concorrência.

No fundo, os partidos não passam de uma associação comercial, com qualquer outra, fundada com  o fim de explorar a matéria prima do voto na fabricação do produto deputado.

É preciso ter uma pasmosa ingenuidade para acreditar na intenção ideológica de nossos ” estadistas”… Eles estão acostumados a seguir sempre a linha de menor resistência, favorecendo os erros e as doenças sociais, como o regionalismo mórbido e o espírito geral de indisciplina, desde que esses fatos sejam propícios a uma campanha eleitoral ou uma negociata de proveitos pessoais.

É por essa razão que, com exceção do Integralismo, não existe no Brasil uma só organização político-social, que paire acima das fronteiras das províncias e objetive a solução de problemas nacionais, atendendo a necessidades comuns do país.

O estadualismo – que resultou do enfraquecimento do poder central desde quando percorremos em sentido contrário a seriação das Leis naturais de evolução do Estado, saindo de um regimen unitário para um regimen de federalismo desagregador – constitui, hoje em dia, a praga da política brasileira.

As antigas províncias do Império precisavam de maior autonomia administrativa, não há dúvida. Mas os nossos homens públicos entenderam que era necessário também inutilizar a força do centro criando um sistema político que tornou ineficaz toda ação centrípeta tendente a integrar as atividades particulares das províncias no grande sentido totalizador da Nação. Não se quis compreender, para desgraça nossa, que era preciso ordenar a vida brasileira de modo que uma pluralidade de meios e de formas realizasse uma unidade de fins. Destarte, adotamos a Federação de tipo americano, esquecidos de que no Norte do Continente a Federação não era mais do que uma etapa de agregação de Estados antes separados, independentes. Assim, regredimos em lugar de avançarmos. Para satisfazermos as parcelas, fragmentamos o todo nacional, criando 21 nações dentro de uma Nação.

Confundimos um problema de ordenação com um problema genérico de estruturação. Quando era bastante e justo diferenciarmos as atividades, combinando e distinguindo as competências das províncias e da Nação, nós nos deixamos levar pelo exemplo yankee, sem exame amadurecido e consciente da questão, e nos aventuramos pela estrada da divisão nacional…

…A vida política no Brasil perdeu o senso dos impositivos morais. A corrupção é a regra, desde os mais altos postos de administração pública até ao contínuo, que só se mexe quando ouve o tilintar dos níqueis.

…Nossa política é de oportunismo pois nos falta um ideal de consciência nacional.

Somente quando o povo adquirir consciência de um ideal comum ( que a estrutura partidária não tem e nunca terá), é que esse povo sobe mais um degrau e se torna uma Nação.

 

MIGUEL REALE, ABC DO INTEGRALISMO, 1936  PÁGINAS 10-13

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